Por: admin Categorias: Santíssima Trindade · Deus Atualizado: 2025-11-24 19:27:10

Jesus Cristo

Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, é o centro da fé católica, o Verbo Encarnado que veio ao mundo para redimir a humanidade do pecado e da morte eterna. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, fundado na Tradição Apostólica e na Sagrada Escritura, "Cristo Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens" (CIC 480), unindo em Sua Pessoa divina as duas naturezas, humana e divina, sem confusão nem separação, conforme definido no Concílio de Calcedônia. Nesta exposição doutrinal, guiados pela Sagrada Tradição, pela Escritura e pelo Magistério infalível da Igreja, examinaremos a Pessoa e a obra de Nosso Senhor Jesus Cristo, evitando qualquer desvio da sã doutrina.

A Encarnação do Verbo Divino

A doutrina católica afirma que o Verbo Eterno, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, assumiu a natureza humana no ventre puríssimo da Virgem Maria, como profetizado: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, que será chamado Emanuel, que quer dizer: Deus conosco" (Vulgata).[1] São João proclama: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Vulgata).

Esta união hipostática, ensinada infalivelmente pela Igreja, é o mistério central da fé: uma só Pessoa em duas naturezas integrais. São Tomás de Aquino, Doutor Angélico, explica na Suma Teológica (III, q. 2) que Deus se fez homem para nos divinizar pela graça, restaurando a imagem divina maculada pelo pecado original.

A Anunciação à Virgem Maria
A Anunciação à Virgem Maria

O nascimento em Belém, na humildade do presépio, revela a kenosis divina, e a adoração dos Magos prefigura a salvação oferecida a todos os povos (Vulgata).

O Filho de Deus se fez Filho do homem para que os filhos dos homens se tornassem filhos de Deus.
Santo Atanásio · Sobre a Encarnação · Clássico da patrística sobre o mistério da Redenção

O Ministério Público e os Ensinos

Batizado por São João no Jordão, onde o Pai O proclama Filho dileto e o Espírito desce como pomba (Vulgata), Jesus inicia Seu ministério, vencendo as tentações no deserto como modelo de combate espiritual.

Seus ensinamentos, consubstanciados nos Evangelhos, constituem a plenitude da Revelação. No Sermão da Montanha, as Bem-Aventuranças delineiam o caminho da santidade (Vulgata). Os milagres – curas, expulsão de demônios, multiplicação dos pães – confirmam Sua divindade, culminando na Transfiguração, onde é revelado como o Filho amado (Vulgata).

O Sermão da Montanha
O Sermão da Montanha

São Gregório Magno, Doutor da Igreja, ensina que os milagres de Cristo não são meros prodígios, mas sinais que elevam a fé e convertem os corações.[2]

A Paixão, Morte e Sepultamento

A Paixão de Cristo é o sacrifício perfeito, prefigurado no Antigo Testamento, pelo qual Ele expia os pecados do mundo. Traído, flagelado, coroado de espinhos e crucificado, Jesus clama na Cruz: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Vulgata), cumprindo as profecias. Sua morte, com as palavras "Tudo está consumado" (Vulgata), institui o Novo Testamento no Seu Sangue, renovado perpetuamente na Santa Missa, como definido no Concílio de Trento.

São Paulo resume: "Cristo nos amou e a si mesmo se entregou por nós, como oblação e vítima a Deus em odor suave" (Vulgata).

As Quinze Estações Tradicionais da Via-Sacra
Estação Descrição tradicional
I Jesus é condenado à morte por Pôncio Pilatos
II Jesus recebe a Cruz aos ombros
III Jesus cai pela primeira vez sob o peso da Cruz
IV Jesus encontra Sua Mãe Santíssima
V Simão de Cirene é obrigado a ajudar Jesus a carregar a Cruz
VI Verônica enxuga o rosto de Jesus
VII Jesus cai pela segunda vez
VIII Jesus consola as mulheres de Jerusalém
IX Jesus cai pela terceira vez
X Jesus é despojado de suas vestes
XI Jesus é pregado na Cruz
XII Jesus morre na Cruz
XIII Jesus é descido da Cruz e colocado nos braços de Sua Mãe
XIV Jesus é sepultado no sepulcro

A Ressurreição e a Ascensão

Ressuscitado ao terceiro dia, como anunciaram as Escrituras, Cristo vence a morte e o pecado. As mulheres piedosas são as primeiras testemunhas, e São Paulo adverte: "Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé" (Vulgata).

Após quarenta dias, ascende aos Céus, enviando o Espírito Santo em Pentecostes (Vulgata), e reina à direita do Pai como Sumo Sacerdote eterno.

A Ressurreição de Cristo
A Ressurreição de Cristo

Cristo como Rei e Juiz Supremo

Jesus é o Rei do Universo, como proclamado pela Igreja na solenidade de Cristo Rei. Seu Reino é de verdade e de graça, transformando as almas e a sociedade conforme a doutrina social católica. No Juízo Final, separará os eleitos dos condenados (Vulgata).

São Pio X, em sua encíclica contra o modernismo, reafirma a soberania de Cristo sobre todas as coisas.[3]

Conclusão: Devoção a Jesus Cristo

Ó Jesus, Coração Misericordioso, atraí-nos a Vós pela graça dos Sacramentos! Que a meditação de Vossa Vida, Paixão e Glória, conforme a Tradição da Igreja, nos leve à santidade. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Amém.

Notas e referências

  1. [1] (Vulgata)
  2. [2] São Gregório Magno. Homilias sobre os Evangelhos. Edições Paulinas. Roma. 590. p. 120.
  3. [3] São Pio X. Pascendi Dominici Gregis. Livraria Apostólica. Cidade do Vaticano. 1907. p. 15.